
Caso do António

O António adora desenhar e passa muito tempo a inventar histórias, as quais gosta de partilhar com a família. Por vezes, torna-se particularmente insistente e quer contar as suas histórias, mesmo quando ninguém tem tempo para o ouvir. António tem 3 anos e meio e vive com os pais e com a irmã mais velha, Ana. É aluno do ensino pré-escolar e é descrito pela educadora e pelos pais, como uma criança inteligente, sociável e meiga. A irmã mais velha, com 10 anos, gosta de o "arreliar", e quando distribui as bolachas ao lanche, por vezes parte-as ao meio. O Antônio chora aborrecido, porque acha que a irmã o está a enganar, está a dar-lhe menos bolachas. Quer as bolachas inteiras ou então faz uma birra. É difícil de convencê-lo que a quantidade de bolachas é a mesma, quer sejam inteiras ou partidas.
Um dia a educadora encontrou-o a chorar, na hora da sesta. A irmã de António estava com gripe e ele desabafou com a educadora: "A culpa foi minha, a Ana está sempre a arreliar-me e eu desejei que ela ficasse doente!". A educadora consolou-o, assegurando-lhe que a doença da irmã não era culpa sua. Deu-lhe o seu ursinho favorito para o acalmar. O ursinho "branquinho" acompanha-o sempre, tanto em casa como no jardim de infância, e o António fala e brinca com ele. Não deixa que a mãe o lave na máquina de lavar porque tem medo que o "branquinho se afogue".